Graciela Montes: uma autora essencial da literatura infantil latino-americana
- 2 de jul.
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Conheça a trajetória da escritora argentina publicada pela Caxinguelê em Valentim se parece com e Venâncio voa baixinho.
Graciela Montes é uma das grandes vozes da literatura infantil e juvenil latino-americana. Escritora, editora e tradutora argentina, nasceu em Buenos Aires, em 1947, formou-se em Letras pela Universidade de Buenos Aires e construiu uma trajetória marcada pela defesa da literatura como espaço de liberdade, imaginação e pensamento.

Autora de uma obra ampla, que atravessa diferentes gerações de leitores, Graciela Montes escreve para crianças sem simplificar a infância. Seus livros costumam partir de situações aparentemente simples — uma criança comparada a todo mundo, um cachorro que aprende a voar, uma menina com um monstro no bolso, um mundo escondido debaixo da cidade — para abrir perguntas profundas sobre identidade, diferença, medo, convivência, liberdade e imaginação.
Ao longo de sua carreira, publicou dezenas de livros para crianças e jovens, além de romances e ensaios sobre leitura, infância e literatura. Entre suas obras mais conhecidas estão Tenho um monstro no bolso, Otrosso, História de um amor exagerado, Aventuras e desventuras de Casiperro del Hambre, Irulana e o Ogronte, O clube dos perfeitos, A batalha dos monstros e das fadas, As velas malditas, A verdadeira história do Ratón Feroz e muitos outros títulos que circulam em países de língua espanhola e em traduções para diferentes idiomas.

Além da ficção, Graciela Montes também é uma pensadora da leitura. Em livros como La frontera indómita e El corral de la infancia, discute o lugar da literatura na formação de leitores e a importância de preservar a potência estética, crítica e imaginativa dos livros para crianças. No Brasil, parte dessa reflexão pode ser conhecida em Buscar indícios, construir sentidos, publicado pela Solisluna em parceria com o Selo Emília.
Seu reconhecimento internacional acompanha a importância de sua obra. Graciela Montes recebeu o Prêmio Lazarillo, foi indicada pela Argentina ao Prêmio Hans Christian Andersen em diferentes edições e venceu, em 2018, o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, uma das principais distinções dedicadas à literatura para crianças e jovens no mundo ibero-americano.

A autora também tem uma relação importante com a AZ Editora, casa editorial argentina com forte presença na literatura infantil e juvenil. Títulos como Venancio vuela bajito e Valentín se parece a fazem parte da circulação da obra de Graciela em espanhol e chegam agora aos leitores brasileiros em edições publicadas pela Caxinguelê, com tradução de Guilherme Semionato.
Na Caxinguelê, os leitores encontram dois livros que revelam muito da força literária de Graciela Montes: Valentim se parece com e Venâncio voa baixinho. Em ambos, a autora combina humor, estranhamento e delicadeza para falar sobre personagens que, cada um à sua maneira, precisam lidar com o olhar dos outros.
Valentim se parece com: o direito de ser quem se é

Desde que Valentim nasceu, todos insistem em dizer com quem ele se parece. Primeiro, a família. Depois, os vizinhos, conhecidos e até desconhecidos. Todo mundo parece encontrar no menino alguma semelhança com outra pessoa — menos ele mesmo.

Em Valentim se parece com, Graciela Montes transforma uma situação muito comum da infância em uma narrativa divertida e sensível sobre identidade. O livro fala sobre o desejo de ser visto para além das comparações, expectativas e projeções dos adultos.
Com ilustrações de Martín Morón, a história acompanha Valentim em sua tentativa de afirmar a própria singularidade. É uma leitura potente para conversar sobre autoestima, escuta, família, respeito à individualidade e o direito de cada criança existir como ela é.
Venâncio voa baixinho: tentar algo diferente também tem seu preço

Em Venâncio voa baixinho, Graciela Montes parte de uma pergunta irresistível: e se um cachorro aprendesse a voar?

Venâncio começa com pequenos saltos, depois passa a flutuar entre prédios e logo transforma o bairro em um cenário de quedas, acidentes e trapalhadas. O problema é que, ao tentar fazer algo diferente, ele acaba incomodando muita gente.
Com ilustrações de Alejandro O’Kif, o livro combina humor, movimento e fantasia para falar sobre diferença, liberdade e experimentação. Venâncio não é um cachorro perfeito nem um herói convencional. Ele erra, derruba coisas, causa confusão — e é justamente isso que torna sua história tão divertida e próxima das crianças.
A obra também foi destaque na Folhinha, da Folha de S.Paulo, em uma seleção de livros infantis para crianças lerem “com a cabeça nas nuvens”, reforçando sua potência como uma leitura sobre imaginação, voos e o direito de sair do comum.
Por que ler Graciela Montes?
Ler Graciela Montes é entrar em contato com uma literatura que confia na inteligência das crianças. Seus textos não entregam lições prontas, mas criam situações abertas, cheias de humor e ambiguidade, que convidam o leitor a pensar.
Em suas histórias, a fantasia nunca é fuga simples da realidade. Ela é uma forma de olhar melhor para o mundo. Um cachorro que voa pode falar sobre diferença. Um menino comparado a todos pode falar sobre identidade. Um monstro no bolso pode falar sobre medo, crescimento e imaginação.
Por isso, os livros de Graciela Montes seguem atravessando gerações: porque tratam a infância como um território complexo, criativo e cheio de possibilidades.
Com Valentim se parece com e Venâncio voa baixinho, a Caxinguelê apresenta ao público brasileiro duas obras de uma autora fundamental — livros que divertem, provocam e convidam crianças e adultos a olhar para o mundo por outros ângulos.


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